A produção de televisores no Polo Industrial de Manaus (PIM) inicia 2026 em trajetória de recuperação, impulsionada pela expectativa de aumento da demanda com a proximidade da Copa do Mundo. Segundo dados do Painel da Economia Amazonense (PEA), após um período de retração no segmento de bens de informática e eletrônicos, os números mais recentes indicam uma recuperação gradual na fabricação de TVs, sinalizando uma reorganização estratégica da indústria para atender ao consumo aquecido em eventos esportivos de grande escala.
Em 2024, o PIM produziu 13,9 milhões de televisores, enquanto em 2025 o volume foi de 13,4 milhões de unidades. Para 2026, a perspectiva é de crescimento relevante tanto na produção quanto nas vendas, movimento típico em anos de Copa do Mundo, quando a demanda por televisores tende a aumentar significativamente.
Os primeiros sinais dessa retomada já aparecem. Em janeiro de 2026, o PIM produziu 1,177 milhão de TVs, volume 11% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Esse movimento reforça a resiliência do PIM, que segue como um dos principais motores da indústria nacional. Mesmo diante de oscilações pontuais em setores como telefonia celular e linha branca, a região demonstra capacidade de adaptação e retomada, especialmente em segmentos sensíveis ao comportamento do consumidor, como o de eletroeletrônicos.
Para André Ricardo Costa, coordenador de Indicadores do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), “a retomada na produção de TVs é um sinal importante de reorganização do setor eletroeletrônico, especialmente diante de eventos que historicamente impulsionam o consumo. Além disso, o novo recorde de empregos demonstra a resiliência do Polo Industrial de Manaus, mesmo em um cenário econômico desafiador”.
Outro destaque relevante é o avanço no mercado de trabalho. O PIM renovou seu recorde histórico de empregos formais, superando a marca de 135 mil vínculos diretos apenas na indústria de transformação. Esse crescimento evidencia a força do modelo praticado na Zona Franca de Manaus e sua importância estratégica para a geração de emprego e renda na região Norte.
Setores-chave do PIM, como eletroeletrônicos e duas rodas, seguem entre os principais responsáveis pela geração de novas vagas no estado. A indústria de transformação, em especial, apresentou crescimento significativo no estoque de empregos, consolidando-se como pilar da economia local.
André destaca ainda que os indicadores de confiança da indústria, importações e movimentação econômica apontam para um primeiro semestre de 2026 mais otimista. “Há uma convergência de fatores positivos que sustentam essa perspectiva, como o aumento das importações de insumos e a manutenção da confiança empresarial em patamares elevados”, completa.
O início de 2026 reforça o protagonismo do PIM na indústria brasileira, combinando retomada produtiva, geração recorde de empregos e perspectivas positivas impulsionadas por grandes eventos de consumo. “Estamos confiantes de que a indústria de Manaus continuará mostrando sua capacidade de superar desafios e gerar oportunidades, reafirmando sua importância estratégica para o Brasil”, finaliza André.
O Painel Econômico do Amazonas (PEA) é uma análise da conjuntura econômica do Amazonas elaborada mensalmente pelo CIEAM, com base em informações públicas de instituições como IBGE, Suframa, ComexStat e Abraciclo, além de dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego. O principal dado disponível para análise é o IBCR-AM, número-índice publicado mensalmente pelo Banco Central como versão regionalizada do IBC-Br, a estimativa mensal do PIB brasileiro.
O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) é uma entidade empresarial ligada ao setor industrial, que atua de maneira técnica e política em defesa de seus associados e dos princípios da economia baseada na Zona Franca de Manaus (ZFM). Implementada pelo governo federal em 1967, a ZFM visa viabilizar uma base econômica no Amazonas e promover melhor integração produtiva e social entre as regiões do Brasil.
Atualmente, são 600 empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus, que emprega diretamente cerca de 134 mil pessoas, garantindo a preservação de 97% da cobertura florestal do Amazonas. O estado encerrou 2025 com um faturamento de R$ 228 bilhões, consolidando-se como um importante polo industrial e econômico do país.