MENU
Flávio Dino suspende quebra de sigilo de Luchsinger
Ministro do STF aponta ilegalidade em votação da CPMI do INSS e alerta contra investigações sem fundamentação individualizada
Por PORTAL MEGAVAREJO
Publicado em 04/03/2026 13:06
Política
Divulgação/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, suspendeu a quebra dos sigilos bancário e fiscal da empresária Roberta Luchsinger, determinada pela CPMI do INSS. A decisão atendeu parcialmente a pedido da defesa, que alegou constrangimento ilegal após a aprovação da medida em votação conjunta de 87 requerimentos. Luchsinger é investigada pela comissão e pela Polícia Federal por suposto envolvimento na chamada Farra do INSS.

Na decisão, Dino afirmou que a votação “em globo” violou o devido processo constitucional, pois não houve fundamentação individual para cada caso. Ele determinou que, caso os dados já tenham sido enviados, fiquem sob guarda da presidência do Senado até julgamento definitivo. O ministro destacou que CPIs possuem poderes semelhantes aos de autoridades judiciais, mas devem respeitar garantias constitucionais.

Dino alertou que afastamentos de direitos não podem ocorrer “no atacado” e criticou práticas que se transformam em “fishing expedition”, expressão usada para definir investigações sem base concreta. Para ele, a quebra de sigilo exige análise fundamentada e debate regular, não podendo ser deliberada de forma coletiva sem motivação específica.

As investigações da Polícia Federal apontam que a empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., de Luchsinger, recebeu cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão, de uma empresa ligada ao operador conhecido como “Careca do INSS”. Relatórios de inteligência financeira indicam que a consultoria recebeu, ao todo, R$ 18,27 milhões, parte relevante proveniente de empresas associadas ao esquema.

Segundo a PF, os repasses não correspondiam à prestação real de serviços, mas tinham como objetivo beneficiar terceiros. Em mensagens interceptadas, o operador Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca”, teria indicado que um pagamento seria destinado a “o filho do rapaz”, expressão usada para ocultar o verdadeiro destinatário.

Embora o nome de Fábio Luís, o Lulinha, não apareça explicitamente nas mensagens, a corporação registrou suspeita de que a referência pudesse ser a ele. Luchsinger, amiga pessoal de Lulinha, é apontada como peça relevante na movimentação financeira investigada.

A decisão de Dino não encerra as investigações, mas suspende temporariamente o acesso aos dados da empresária até que o STF julgue o mérito da ação. O caso reforça o debate sobre os limites de atuação das CPIs e a necessidade de fundamentação individualizada em medidas que afetam direitos constitucionais.

Com a suspensão, o material eventualmente já encaminhado pela CPMI ficará sob guarda do Senado, aguardando decisão definitiva. O episódio evidencia a tensão entre o poder investigativo das comissões parlamentares e a proteção das garantias individuais asseguradas pela Constituição. (Com informações do Portal Cláudio Dantas)

Comentários
Comentário enviado com sucesso!