Reconhecido pela OMS como fenômeno ocupacional, o burnout atinge 32% dos trabalhadores brasileiros, segundo a ISMA-BR. Para Carla Martins, vice-presidente do SERAC, a cultura da liderança solitária fragiliza empresas, já que a centralização excessiva reduz velocidade, clareza e capacidade de crescimento. Sob pressão constante, gestores passam a decidir de forma reativa, comprometendo análise e planejamento de longo prazo.
Essa dinâmica impacta diretamente a estrutura organizacional. Equipes habituadas à validação constante perdem autonomia, gerando lentidão e insegurança interna. Além disso, a sobrecarga contínua cria uma cultura baseada na exaustão, onde pedir ajuda é visto como fraqueza. Para Carla, crescer exige compartilhar responsabilidades, estruturar processos e confiar em lideranças intermediárias.
A especialista aponta cinco caminhos para romper o ciclo da liderança solitária: mapear a centralização das decisões, estruturar processos e indicadores, desenvolver gestores internos, criar instâncias formais de governança e buscar apoio especializado. Segundo ela, empresas menos dependentes de uma única pessoa tornam-se mais resilientes e aptas a crescer de forma sustentável.