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Tarifas sobem e indústria fica sem rumo
Governo eleva imposto de importação para arrecadar R$ 14 bi, mas medida encarece consumo e trava modernização produtiva
Por Redação CENA 10
Publicado em 24/02/2026 16:58
Economia
Agência Brasil/EBC

O aumento das tarifas de importação anunciado pelo Ministério da Fazenda expõe mais a urgência fiscal do governo do que qualquer estratégia industrial consistente. Ao elevar em até 25% os impostos sobre mais de mil itens, a equipe econômica tenta fechar o rombo das contas públicas, mas transfere o custo para consumidores e empresas.  

A justificativa oficial fala em proteger a produção nacional, mas o Brasil não possui uma cadeia completa capaz de fabricar smartphones ou equipamentos de ponta. O que existe são linhas de montagem dependentes de componentes importados. A tarifa, nesse caso, protege apenas a última etapa do processo, sem criar competitividade real.  

O impacto sobre bens de capital é ainda mais preocupante. Máquinas e equipamentos usados para modernizar fábricas também ficaram mais caros. Ao encarecer a importação de tecnologia, o governo desestimula investimentos e compromete a produtividade futura da indústria.  

Na prática, tarifas são impostos disfarçados. Embora incidam sobre importadores, acabam repassadas ao preço final. Em um país de renda média comprimida, isso significa mais pressão sobre o bolso da população e risco de inflação em setores sensíveis.  

O discurso de proteção industrial soa vazio diante da realidade. Sem reformas estruturais, tarifas criam apenas um escudo temporário. Não há política de inovação, nem estímulo à pesquisa e desenvolvimento. O resultado é um protecionismo que preserva a ineficiência e não gera avanços tecnológicos.  

A pressa em arrecadar R$ 14 bilhões mostra que a prioridade é fiscal. Com despesas obrigatórias em alta e pouco espaço para cortes, o governo recorre a soluções rápidas, mas de efeito colateral amplo. Empresas perdem competitividade e consumidores pagam mais caro.  

O custo da medida é difuso, mas real. Ele recai sobre quem investe e sobre quem consome, sem contrapartida clara em termos de produtividade ou modernização. É um remendo que ajuda a fechar a conta de curto prazo, mas compromete o futuro da economia.  

Ao misturar política industrial com necessidade fiscal, o governo revela que a segunda é a verdadeira motivação. O risco é transformar tarifas em mais um peso sobre a sociedade, sem entregar o desenvolvimento que o país precisa para sair da estagnação.   

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